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Resenha e Reflexão: Vale à pena ler o livro “Agora que sou mãe” de Flavia Calina

Resenha e Reflexão: Vale à pena ler o livro "Agora que sou mãe" de Flavia Calina | ©CorujinhaLulu.com  educação infantil desafios e aprendizados da maternidade editora planeta de livros luciene sans pensamentos brasil criança universo

Oie pessoal! É de praxe aqui no meu blog eu fazer algumas reflexões sobre filmes, jogos, séries e livros. Nada substitui o poder de pararmos pra pensar e refletir sobre algo. É inestimável! Por isso vim compartilhar minha opinião e algumas reflexões que o livro “Agora que sou mãe” (Editora Planeta de Livros), escrito por Flavia Calina, me proporcionou logo nas primeiras páginas e porquê eu acho que você, sendo mãe / pai ou não, deveria ler também.
 

Livro: “Agora que sou mãe” de Flavia Calina || Resenha e Reflexão por Luciene Sans

Não poderia começar sem mencionar minha admiração pela autora, Flavia Calina, e sua família composta por seu marido Ricardo e seus filhos. Inclusive tem uma resenha que fiz sobre o jogo As Aventuras da Baby V pela qual fui agraciada pela linda surpresa de receber comentários da Flavia e do Ricardo. Isso só comprova o quanto eles são sensacionais e detentores de uma humildade incrível!

Antes de me adentrar na reflexão, preciso dizer que o livro “Agora que sou mãe” é um excelente guia de bolso para qualquer pessoa que queira conhecer mais sobre maternidade e primeira infância. Independente de sua intenção de ser mãe ou pai! Porque no livro você encontra até mesmo maneiras polidas de lidar com pessoas que enfrentam dificuldades para engravidar ou que enfrentam qualquer tipo de infertilidade.

Primeiramente: não, não sou mãe. E se você estiver se perguntando “então por que acha que pode falar com propriedade sobre um livro intitulado ‘Agora que sou mãe’ se nem ao menos mãe você é?”, já te convido a sentar e acompanhar o meu texto com bastante atenção. Espero que mude seu ponto de vista em relação a mim até o final da minha reflexão.

Não tinha nem terminado de ler o prefácio com os relatos da Flavia e uma vontade incontrolável de escrever esse texto tomou conta de mim! Mas a leitura desse livro é tão prazerosa e nos prende de uma maneira tão natural que venho escrever após quase completar a leitura de todas as 229 páginas do livro.

O que me chamou atenção logo no início foi o fato da Flavia dizer que estudou Educação Infantil enquanto cursou magistério no Ensino Médio. Eu também não fiz Curso Técnico no meu Ensino Médio, optei por estudar o Colegial Tradicional, antigo magistério, mas muito me surpreendi por nunca ter tido contato com nenhuma matéria que abordasse a educação infantil e o desenvolvimento / comportamento humano em todas as fases da vida (pré-natal, infância, adolescência, fase adulta e fase idosa).

Existe uma falha imensa na estrutura de Educação do Brasil e isso já é sabido há muito tempo. Não é de hoje que se fala de uma reestruturação geral na relação aluno – escola – vestibular. Afinal de contas, na minha opinião, a relação deveria ser aluno – escola – cidadania. Acredito que a escola deveria preparar o aluno para ser um bom cidadão e não apenas para passar no vestibular. Conhecimento nunca é demais e quanto mais contato temos com ele, melhores seres humanos nos tornamos! E por isso acredito ser primordial a inclusão de várias matérias na grade curricular dos alunos como moral e cívica, ética e, justamente, educação infantil.

Muitas pessoas entram para o universo da maternidade sem sequer saber o básico sobre desenvolvimento / comportamento do ser humano, afinal não existe no Brasil uma preparação formal para isso. Se não tiver a sorte de aprender com seus pais / cuidadores, a pessoa cai de paraquedas sem saber como atender às necessidades e ser responsável por outro ser humano.

“Mas então você quer que todo mundo tenha contato com educação infantil? E se eu não quiser ser professor(a)? E se eu não quiser ter filhos? De que isso me adianta?”… Será que alguém me fez essas perguntas mentalmente? Provavelmente sim. Isso porque a maioria de nós tem uma ideia equivocada quando o assunto é o universo infantil. Não julgo, apenas constato. Na verdade é compreensível muitas pessoas terem uma ideia equivocada a respeito disso devido ao modo como, culturalmente, a criação familiar ocorre no Brasil – salvo muitas exceções, claro!

Infelizmente acabamos ouvindo constantemente as pessoas falarem para as crianças algumas coisas que acabam nos traumatizando para a vida toda, mesmo sem perceber. Algumas pessoas têm certa aversão ao universo infantil porque provavelmente ouviram na infância muitas coisas relacionadas à sua “pequenez” diante do mundo… “Ah! Quando você crescer, você vai entender!”, “Você é muito pequeno pra fazer isso!”, “Tem que me obedecer porque sou mais velho(a)” e por aí vai. Mesmo que não seja a intenção, essas e outras frases, quando colocadas de maneira descontextualizada, podem acabar gerando uma antipatia pela condição de “ser criança”. Não é à toa que muitas crianças brasileiras sentem uma necessidade exacerbada de crescer e acabam atropelando essa fase tão importante! Afinal de contas todos nós queremos ser tratados com respeito! E nossa ansiedade aumenta ainda mais quando associamos respeito com idade.

Faz parte do crescimento e desenvolvimento da criança querer ser independente e até imitar algumas atitudes do adulto. Isso é totalmente normal e saudável! Sinal até de admiração! Mas o fenômeno que estou citando acima não é esse. Estou me referindo à necessidade que a criança tem [de ser ouvida e respeitada] e a ideia equivocada de que ela precisa crescer pra sanar sua necessidade.

A verdade é que muitas pessoas têm o costume de achar que criança não vai entender se a gente tentar explicar ou acham que vai ser complicado e demorado demais tentar detalhar alguma explicação e optam pela resposta mais rápida: “quando crescer, você vai entender”. Há também casos em que queremos que as coisas saiam do nosso jeito e um simples “obedece porque sou mais velho(a)” acaba servindo melhor do que uma longa e cansativa jornada de consistência e transmissão de valores.

Conclusão disso? Vejo por aí muitos adultos que não suportam até hoje qualquer resquício do universo infantil! Não gostam sequer de ver um desenho porque “já não estou mais na idade disso” ou “isso é coisa de criança!”. Ou ainda abominam qualquer situação em que tenham que lidar com uma criança ou uma pessoa mais jovem: “Aff! Ainda não sabe nada da vida… Tem muito o que aprender!”.

Esse pensamento é super equivocado! Todos nós podemos aprender e ensinar coisas aos outros, independente da nossa idade! Crianças ensinam muito aos adultos, assim como idosos ensinam muito aos jovens! E vice-versa! Não é algo diretamente associado à idade. Cada pessoa vive experiências diferentes da outra e pode contribuir de maneiras distintas. Isso é mágico!  

Qualquer pessoa deve ser tratada com respeito, independente da idade, da condição social, do gênero, etc.

É nosso dever, enquanto seres humanos, nos atentarmos para o futuro da humanidade. Por isso nos preocupamos com curas para doenças, com o meio ambiente e com as condições relacionadas à nossa existência, independente de você ser guiado por razões religiosas ou apenas por respostas instintivas de sobrevivência. E se engana quem não inclui a preocupação com a educação infantil nessa lista! Assim como a Flavia muito bem colocou em seu livro “(…) mais do que recompensador, ver uma criança reproduzindo nossos valores é assustador (…) nos faz compreender o quanto o futuro do mundo está nas nossas mãos” (p. 101 – Agora que sou mãe).

Pois é! Crianças são esponjas que absorvem tudo o que ouvem e, principalmente, tudo o que vêem os outros fazerem. E não é só o que o pai, a mãe ou as pessoas próximas fazem… É o que qualquer um faz! Eis aí a sua importância na construção de uma sociedade melhor, mesmo que não tenha intenção de entrar para o mundo da maternidade. Você está automaticamente ligado a esse mundo ao passo em que vive em sociedade.

Aprender sobre educação infantil é ter respeito pelo nosso próprio futuro. Por isso é tão importante entendermos as fases de uma criança. Para que a gente não cometa o erro de atribuir qualquer choro à birra e para que a gente seja capaz de compreender os motivos que levam una criança a “fazer um show” em um lugar público.

“Agora que sou mãe é que devo me preocupar com educação infantil”? Não! Essa deve ser uma preocupação de todos nós, mesmo quem não intenção de ser mãe ou pai!

Compreender o crescimento infantil / desenvolvimento do ser humano é como sabermos mais sobre nós mesmos! Talvez até identificar traumas antigos e passar a compreendê-los de uma forma tão completa a ponto de conseguir lidar ou anular esses traumas!

A empatia vem da tolerância, que só é possível quando derrubamos os preconceitos que criamos por vermos e sermos tratados com preconceito também. Por isso é super importante conhecer o desenvolvimento infantil, mesmo quando não se tem pretensão de gerar filhos. Afinal, é dever de todos zelar por um mundo melhor! E o bom convívio pode transformar comportamentos inimagináveis quando toda a sociedade está preparada para lidar com uma situação. Não é à toa o excelente provérbio americano que a Flavia Calina citou em seu livro: “it takes a village to raise a child” (tradução: “é necessário uma comunidade para criar uma criança”).

Assim é um ser humano: uma criatura que vive em sociedade. É graças a isso que podemos, sim, contribuir para a criação de todas as crianças, mesmo quando não são nossos filhos. Pensamentos como “você não sabe de nada! Só quando for mãe (pai) você vai entender / você pode opinar” nada mais são do que um verdadeiro retrocesso. Isso só aumenta o abismo e o distanciamento que existe entre adultos e crianças, o que nunca deveria existir. Todos nós podemos contribuir para a educação e criação de uma criança, até mesmo aquela que você cruza no supermercado e está “fazendo manha”. Só o fato de não expor aquela criança em um vídeo na internet com intenções ofensivas já é um bom começo de respeito e tolerância, que só podem ser adquiridos quando você se permite sair da ignorância pela falta de conhecimento e passa a se interessar e estudar mais sobre isso.

“Agora que sou mãe” é uma excelente opção para preencher um pouco da lacuna que existe sobre educação e desenvolvimento infantil na vida de muitas pessoas.

Enquanto ainda não vivemos a realidade de poder estudar educação infantil na grade curricular escolar, podemos ter o amparo de pessoas incríveis como a Flavia Calina, que escreveu um verdadeiro tesouro para todos que querem ser uma pessoa melhor e mais bem preparada para respeitar as necessidades de qualquer ser humano, independente de sua idade.

Eu super recomendo a leitura do livro “Agora que sou mãe”. Mais do que relatar desafios e aprendizados da maternidade, esse livro dá um show sobre humanidade!

E você? Já leu o livro “Agora que sou mãe – Os Desafios e Aprendizados da Maternidade” da Flavia Calina? O que achou? Conta pra mim nos comentários! Eu já estou na torcida para ler mais e mais livros que eu espero que ela escreva.
Até a próxima! *Hoot-hoot*
 

Luciene Sans
Jornalista / Blogger / Youtuber
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* Essa é apenas uma reflexão, e como toda reflexão tem apenas a intenção de nos fazer pensar mais sobre o assunto abordado. Nada do que foi dito é uma regra a ser seguida cegamente. É apenas um convite a pensarmos e falarmos mais sobre o assunto.

Categoria:Reflexão
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| por Luciene Sans (Corujinha Lulu) às 18:00 do dia 5 de maio de 2017 |

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